Ouso dizer que a dor do término pode por vezes ultrapassar a dor do luto de uma morte. Se pensarmos no futuro, quando a morte chega & se instaura, não há para onde correr. A morte chegou, o tempo passou, aquela história já foi escrita, vivida, e hoje apenas memórias são possíveis de te acompanhar. Não há o que ser feito. Já num término, aquela parceria, aquele par de caminhada, se vai. E não se vai porque precisa - fisicamente - como a morte - ir-se. Se vai porque, de alguma maneira, só amor não é o suficiente.

O luto de um término é perceber que só o amor não é o suficiente para se caminhar com aquela parceria humana sobre a Terra. Muito peso pra uma só pessoa, não? Parceria humana sobre a Terra... é assim que eu vejo a realidade. Espíritos encarnados dando seu melhor - e pior - na materialidade da experiência humana & que intrínseca e desesperadamente desejam encontrar algo ou alguém que lhes traga mais serenidade, harmonia, companhia & aconchego durante a travessia da vida. Atravessar sozinha tem sido difícil.

Todo domingo antes do primeiro dia de aula eu tinha insônia. Nunca conseguia dormir antes do primeiro dia de aula do ano letivo, na cabeça uma só pergunta: será que nesse ano minha amiga entra? Eu sabia que eu tinha uma amiga por aí. Eu só tava esperando ela chegar. Que demoraaaaaaaa, eu já tinha 11 anos. Desde os 05 me lembro de correr atrás de amizade, conexão, compreensão, compartilhamento. Eram 06 anos da minha pequena existência correndo atrás de ser reconhecida. Escutada. Gostada, não digo nem amada.

Aos 12 ela chegou, aos 12 eu a perdi, aos 12 passei pela maior rejeição & humilhação que eu nem imaginava: a escola toda virou o rosto pra mim. De sem amigos porém com colegas passei a alguém sem nem ao menos colegas. TODOS faziam bullying comigo, todos. Se for olhar com carinho, foi a primeira vez que eu reagi a uma dor (me impus que tava com ciúmes da Meire Cleide) e aquela reação escapou da minha mão. Talvez aí eu tenha começado a engolir todo sentimento? Afinal, em um ano desse episódio, veio a anorexia como maneira de lidar ao mundo emocional principalmente. Se eu não podia exteriorizar que eu me fudia, então engolir?

Voltei a exteriorizar à pouco tempo, desde que Ela entrou na minha vida. Sentia ser necessária essa crise de nervos explosiva, só não me via lidando com desenrolares que não imaginava novamente, tipo uma tentativa dde homicídio, um crime gigante e todo esse mistério em volta da situação. Existem apenas duas pessoas no mundo que tem certeza da verdade: eu & ele. Ninguém mais.

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